segunda-feira, 21 de maio de 2012

Meus ouvidos e a música onomatopeica

Já faz um tempo que tive a ideia de escrever sobre esse assunto. Mas relutei bastante em realmente explicitar isso. Não por medo da polêmica ou receio de despertar fúrias e paixões, e sim porque havia tanta gente falando sobre a mesma coisa e ao mesmo tempo que achei desnecessário ser mais um a se mostrar interessado em algo (a meu ver) tão pequeno.
Fato é que não gosto de chutar cachorro morto, bater em bêbado ou amassar sorvete na testa. Anyway... certas coisas urgem dentro de mim para serem ditas. Ou escritas, vá lá.
Não que eu seja arrogante (e as prima-donas dirão o contrário) mas minha experiência de vida me ensinou - ou tem tentado me ensinar - a ter paciência com os desprovidos de bom senso e bom gosto, ou que não possuem quociente intelectual o bastante para saberem diferenciar um semáforo de um cacho de uvas.
Durante esse exercício de paciência acabo ouvindo muita - com o perdão da palavra - mer_ _ em forma de música.
Passei a ver isso como uma involução de algo que eu mesmo batizei de onomatopeia music. Explico, caro leitor: trata-se de um gênero musical, sem raízes definidas, que emaranha-se por outros gêneros e sub-gêneros musicais.
A onomatopeia music tem origens muito primitivas, mas tornou-se popular através de certos temas roqueiros dos idos dos anos 50 e 60.
O cantor e pianista Little Richard deu o pontapé inicial no estilo com sua "Tutti Frutti", de 1955. Quem não se lembra da empolgante frase "A Whop Bop a Loom a Whop a Lop Bam Boom!", que nada mais era que a representação de uma explosão de tesão?
Em 1956 foi a vez de outro roqueiro americano, Gene Vincent, com "Be-Bop-A-Lula", endossar a onomatopeia music com mais um clássico.
Nos anos 60 podemos destacar "Papa Oom Mow Mow" (1962), tema do grupo de doo-wop The Rivingtons, revisitado ano seguinte pelo combo de surf music The Trashmen em "Surfin' Bird"
Alguns anos depois foi a vez dos incontestáveis Beatles se aventurarem também pelo estilo. Em 1968 saiu "Ob-La-Di, Ob-La-Da". A música, que faz parte do famoso Álbum Branco do quarteto de Liverpool já foi alvo de piadas e, na época que foi gravada, causadora de tensões dentro da banda. Conta-se que John Lennon odiava a canção, que era uma criação de Paul. 
Mas "Ob-La-Di, Ob-La-Da" ganha pontos com sua letra que, excetuando-se o bobo refrão, possui um certo sentido, pois retrata o entediante cotidiano de uma família inglesa de classe média formada por um casal e duas crianças.
Doze anos depois dos Beatles foi a vez dos também ingleses da The Police gravarem sua "De Do Do Do, De Da Da Da" - canção que trata da inutilidade da eloquência nas palavras e nos discursos quando os interlocutores não se entendem.
Aliás, deixo bem claro, que a onomatopeia music não se trata apenas de um gênero musical que explora os refrões grudentos ou desprovidos de massa cinzenta. Se assim fosse, a música "Bate o Pé", do português Roberto Leal, seria um exemplo acabado de onomatopeia music. O mesmo poderia se dizer da divertida "Macarena", obra do duo espanhol Los del Rio que conquistou o mundo em 1996.
O Brasil tem se lançado com avidez no estilo, sem, entrementes, se preocupar nem um pouco com a semântica, com a lógica e - o que me incomoda mais - com meus ouvidos.
Não bastassem as bandas de pagode, que inserem um "lá-lá-iá" na letra mesmo quando acabaram de falar de um coração que está sangrando ou de um sujeito apaixonado que perdeu o sentido da vida depois de levar uma corneada federal, agora é a vez dos sertanejos universitários enfiarem as botas e esporas na porta do estilo. Só que, por razões que avaliaremos a seguir, de forma não tão bem sucedida assim.
No último ano pelo menos duas canções arrebentaram a porteira e invadiram as rádios do país. Tratam-se de "Balada Boa (Tche Tche Rere)", do cantor mineiro Gusttavo Lima; e da dupla de Goiânia (Claro. Onde mais?) João Lucas & Marcelo, com a sua "Eu Quero Tchu, Eu Quero Tcha".
Assumo que não me adianta espernear e arrancar os cabelos, pois o tal sertanejo universitário, ao que tudo indica, foi aprovado em algum concurso por aqui mesmo e não vai realizar o meu sonho e de seus detratores de deixar o país para fazer um mestrado lá fora. É fato que esse povo chegou para ficar. O estilo veio se unir ao axé e ao funk para juntos formarem a tríade da música descerebrada.
Não querendo ser preconceituoso, mas, convenhamos que as músicas que falam sobre festas e pegação já foram bem melhores. Em 1963 a cantora Lesley Gore lançou para a posteridade os versos escritos pelos compositores Walter Gold, John Gluck Jr. e Herb Weiner. Trata-se de "It's My Party", canção que fala, de modo até divertido, da dor de cotovelo de uma garota que dá uma festa em sua própria casa e fica sabendo que o namoradinho ficou com outra debaixo do seu nariz. A música ficou famosa ao figurar numa sequência de um dos filmes da franquia infantil "O Pestinha". Chegou também a ser regravada por Amy Winehouse, uma notória amante dos temas e da cultura vintage em geral.
No entanto, convenhamos que há uma enorme diferença entre os versos "Ninguém sabe onde meu Johnny foi, mas Judy saiu ao mesmo tempo. Porque ele estava segurando sua mão, quando era para ser a minha? É minha festa e eu choro se eu quiser, choro se quiser, choro se quiser. Você também choraria se fosse com você." ("It's My Party"), repletos de ironia e daquele melodrama tão característico dos jovens, e as letras de "Balada Boa (Tche Tche Rere)" e "Eu Quero Tchu, Eu Quero Tcha".
Enquanto a primeira diz "Eu já lavei o meu carro, regulei o som. Já tá tudo preparado, vem que o brega é bom. Menina fica a vontade, entre e faça a festa. Me liga mais tarde, vou adorar, vamos nessa. Gata, me liga, mais tarde tem balada. Quero curtir com você na madrugada. Dançar, pular até o sol raiar.Tchê tcherere tchê tchê, Tcherere tchê tchê, Tcherere tchê tchê, Tchereretchê Tchê, tchê, tchê, Gustavo Lima e você"; a segunda não vai muito além em termos de nonsense: "Cheguei na balada, doidinho pra biritar. A galera tá no clima, todo mundo quer dançar. O Neymar me chamou, e disse 'faz um tchu tcha tcha'. Perguntei o que é isso, ele disse 'vou te ensinar'. É uma dança sensual, em Goiânia já pegou, em Minas explodiu, em Santos já bombou. No Nordeste as mina faz, no verão vai pegar. Então faz o 'tchu tcha tcha', o Brasil inteiro vai cantar. Eu quero tchu, eu quero tcha. Eu quero tchu tcha tcha tchu tchu tcha, tchu tcha tcha tchu tchu tcha"Perceberam? Está tudo embolado aí!
Atiça minha curiosidade querer saber onde e quando a cultura pop errou. Como diabos passamos da festa estranha com gente esquisita que lia Bandeira e Rimbaud; apreciava Van Gogh; ouvia Bauhaus, Mutantes e Caetano, para essa geração que curte brega, baladas, meninas à vontade e Neymar? 
Convenhamos: existe aí um abismo muito grande. Fica a dica para qualquer sociólogo que queira se aventurar no tema.
Certamente que a música pop não carece de muito sentido, e muito menos de erudição. A música pop foi feita para ser leve, rápida e divertida. Cabe ao rock progressivo e também à música clássica a responsabilidade pela sofisticação.
Levando-se em conta de que os sertanejos universitários queiram mesmo se aventurar pelo pop, sugiro-lhes ao menos que procurem fazer versos melhores que "Goiânia já pegou, em Minas explodiu, em Santos já bombou. No Nordeste as mina faz (sic)", ou "Se você me olhar vou querer te pegar, e depois namorar. Curtição, que hoje vai rolar".
Do jeito que as coisas vão, se não forem mais inteligentes do que isso, vai ficar até difícil para mim classificá-los como onomatopeia music.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Há 32 anos a música perdia Ian Curtis

Poucos artistas na história da música foram tão talentosos e impactantes quanto Ian Curtis. E não muitos outros podem se dar ao luxo de terem influenciado tantas pessoas quanto ele.
Apesar da confusão que geralmente se faz com seu local de nascimento, Ian Kevin Curtis veio ao mundo em 15 de julho de 1956, na localidade de Old Trafford, situada nos subúrbios de Strettford (Lanchashire); cresceu em outra cidade, Macclesfield, e fez nome e fama em Manchester. 
Curiosamente, é em Old Trafford que está situado o estádio de um dos clubes mais importantes da Inglaterra e do mundo, o Manchester United. Ian, assim como os irmãos Gallagher (Oasis), foi um fanático pelo grande rival do United, o Manchester City.
Filho de um sisudo detetive que se aventurou pelo teatro escrevendo peças, ainda criança herdou do pai o gosto pela literatura. Em Macclesfield, uma típica cidade suburbana inglesa, o jovem Ian começou a se interessar pela música ouvindo Rolling Stones e The Who. Aos poucos foi incrementando sua lista de artistas favoritos com Lou Reed, Iggy Pop, Jim Morrison e seu maior ídolo: David Bowie.
Apesar da fama de bardo da alma torturada e gênio em constante desespero, Ian Curtis carregou consigo o severo peso de ter uma personalidade inconstante e até certo ponto ambígua. Segundo relatos de sua viúva, Deborah Curtis, no livro Touching from a Distance (no Brasil "Carícias Distantes") que em 2007 foi convertido ao formato de filme na película Control, Ian era ousado o bastante para sair nas ruas e ir a shows usando maquiagem no rosto e unhas pintadas, ou seja, um verdadeiro adepto do glam rock que Bowie e Marc Bolan tanto propagavam. No entanto, pegava no pé de Deborah por conta de suas saias curtas e decotes. Chegou, inclusive, a tentar obrigá-la a votar com ele no Partido Conservador.
A vida então começou a desabar sobre a cabeça e ombros de Ian numa velocidade alucinante e com um peso praticamente insuportável. Entre os anos de 1976 e 1980, vieram o memorável show dos Sex Pistols em Manchester; a formação da banda com os amigos de bebedeira Bernard Albrecht e Peter Hook, que começaria Stiff Kittens, se tornaria Warsaw e entraria para a história - já com o baterista Stephen Morris - como Joy Division; o casamento com Deborah Curtis; a descoberta da epilepsia; a gravação do álbum de estréia, o seminal Unknown Pleasures (1979); o nascimento da filha Natalie em 1979; a fama em seu país natal; o caso extra-conjugal com a belga Annik Honoré; a crise no casamento, o agravamento da doença e, por fim, a pressão do segundo disco.
Ian não conseguiu suportar tamanha pressão e, em 18 de maio de 1980 - na véspera de viajar com o Joy Division para uma turnê americana - o cantor de timbre baixo-barítono e compositor de letras poderosíssimas como "She's Lost Control", "Passover", "Transmission", "Isolation", "Love Will Tear Us Apart" e "Atmosphere" enforcou-se na casa dos pais. Tinha apenas 23 anos de idade.
Dois meses após sua morte foi lançado Closer. Por uma bizarra ironia, a arte do álbum - que já havia sido escolhida pelo próprio Ian, juntamente com a banda - trazia estampada a imagem de uma tumba. A banda já flertava com a morte desde o primeiro  disco. A capa de Unknown Pleasures é a "fotografia" da morte de uma estrela, tirada com a ajuda de um equipamento medidor de ondas. 
Closer, ao mesmo tempo em que sedimentou seu legado, sepultou por completo a possibilidade de seus companheiros Bernard (agora usando o sobrenome Sumner), Peter e Stephen de prosseguirem como Joy Division. Restou-lhes montar a New Order, com a figurante Gillian Gilbert.
Quando falamos de legado, tanto da Joy Division quanto do próprio Ian Curtis, estamos falando de um amplo espectro de bandas onde figuram desde as oitentistas The Cure e The Chameleons, até chegar em nomes do chamado pós-punk revival como Editors e The Bravery. Em alguns casos como Interpol e White Lies a transfiguração chega a ser quase perfeita.
No Brasil, a Legião Urbana começou sua carreira xerocando a Joy Division, como bem podemos perceber em canções como "A Dança" e "Acrilic on Canvas". Renato Russo, o vocalista da Legião, antes de se lançar como Morrissey dos trópicos, messiânico e afetado, tentava reeditar no palco os movimentos espasmódicos do ídolo Ian. 
Como foi dito no início desse texto, houveram sim outros ídolos que brilharam intensamente no panteão do rock e se apagaram em pouco tempo. Podemos citar alguns dos talentosos nomes do macabro "clube dos 27", ícones da estatura de Jimi Hendrix, Janis Joplin, Brian Jones, Jim Morrison, Kurt Cobain e, mais recentemente, Amy Winehouse. Guardadas as devidas proporções, essas personalidades imprimiram na música uma marca difícil de ignorar. Ian Curtis teve um tempo menor que o deles, pois viveu quatro anos a menos.
Além de contemplar toda a influência de sua obra, caso estivesse vivo, Ian teria outro forte motivo para comemorar: seu Manchester City foi campeão inglês de futebol após um jejum de 44 anos.


Como forma de prestar um tributo à pequena porém valiosa obra de Ian Curtis, o Aeropsicodélico selecionou quatro vídeos que atestam sua influência sobre diversos artistas. Para abrir a sessão teremos a própria Joy Division com "Transmission". Seguida de The Cure ("A Strange Day"), White Lies ("To Lose My Life") e Interpol ("Lights").







quarta-feira, 16 de maio de 2012

Made In USA: Ringo Deathstarr (Austin, TX)

Vem da cidade texana de Austin a banda do Made In USA dessa semana. Os membros da Ringo Deathstarr começaram a tocar juntos no ano de 2005 e, atualmente sua formação consiste em  Elliot Frazier (vocais e guitarra), Daniel Coborn (bateria) e a insinuante Alex Gehring (guitarra, baixo e vocais).
O nome da banda é uma brincadeira envolvendo o nome do ex-Beatle Ringo Starr e a Death Star (a Estrela da Morte, dos filmes clássicos da série Star Wars).
Seu último lançamento, o álbum Colour Trip, saiu ano passado, e reafirma influências de My Bloody Valentine, Lush e The Cure.

Só sei que a Ringo Deathstarr faz um som gostoso de se ouvir. "Kaleidoscope" é a sugestão do Aeropsicodélico para que vocês curtam o trabalho dessa banda texana.



Ringo Deathstarr é para quem gosta de shoegazing em geral.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Sábado tem Narc Division no Acervo

Sábado, 12 de maio, o Coletivo Fliperama e o Acervo Imaginário apresentam a POP IT! #12, com banda Narc Division (Interpol Cover) e os DJ's Marquinhos e Dado.

Narc Division

O projeto Narc Division nasceu em Fortaleza, no segundo semestre de 2010, com o intuito de prestar tributo a uma das mais influentes bandas de indie rock da atualidade: Interpol
Atualmente, a Narc Division é composta por Bruno Andrade (vocais), Felipe Sales e Rafael Viana (guitarras), Alencar Filho (baixo), Hélio Magalhães (bateria) e Alisson Melo (teclado).
O repertório do grupo inclui canções dos quatro álbuns de estúdio da Interpol: Turn on the Bright Lights (2002), Antics (2004), Our Love to Admire (2007) e Interpol (2010)
Dentre todos os trabalhos, o destaque no setlist fica para as faixas do álbum de estréia, que está completando dez anos de lançamento em 2012.

SERVIÇO:
POP IT! #12
Show: NARC DIVISION (INTERPOL COVER) 

DJs: MARQUINHOS e DADO.

Data: Sábado, 12 de maio, a partir das 22:00h
Ingressos: R$15,00
Local: Acervo Imaginário Bar Cultural - Av. Pessoa Anta, 194 (Dragão do Mar)
Telefone: (85) 3221.4894

A entrada no Acervo Imaginário é condicionada apresentação do documento de identidade, independentemente da idade. Agradecemos a compreensão.


sexta-feira, 4 de maio de 2012

O rock e o rap estão de luto

Morre o cantor e músico Adam Yauch, da banda americana Beastie Boys


Adam Yauch (foto) vinha enfrentando um câncer desde 2009. Hoje, para infelicidade dos amantes da música feita com alegria e autenticidade, esse pancada perdeu sua batalha. Aos 48 anos (sim, os bons morrem jovens...), Yauch partiu desse plano. 
Durante mais de três décadas, o músico (era baixista) esteve à frente dos Beastie Boys, banda que formou com os colegas Mike D e Ad-Rock para tocar hardcore. Durante a década de oitenta, no entanto, o grupo foi abandonando o antigo estilo e se voltando para o Rap, que era a bola da vez na cena nova-iorquina daqueles anos. Juntos, os três lançaram álbuns seminais como a estréia Licensed to Ill (1986), Check Your Head (1992) e III Comunication (1994)
Descanse em paz, MCA.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Rock Brasilis: Lautmusik (Rio Grande do Sul)

Nem só de Cachorro Grande e Engenheiros do Hawaii vive o rock gaúcho. Interrompida a saga da Superguidis, chegou a vez da Lautmusik mostrar que as guitarras continuam a apitar alto pelos pampas. Afinal, a proposta de "orgasmar" o público utilizando o instrumento primordial do rock já está impresso no nome da banda (Lautmusik quer dizer "música alta", em alemão).
A banda foi formada em meados de 2006 e sua discografia abrange os EP's Black Clouds with Silver Linings (2007) e A Week of Mondays (2008), mais o álbum Lost in the Tropics (2012).
Entre suas influências existe um verdadeiro apanhado de boas bandas, como Joy Division, The Cure, Siouxsie and The Banshees, My Bloody Valentine, Gene Loves Jezebel, Inspiral Carpets, The Chameleons UK e até mesmo estilhaços de Sonic Youth, entre outros. Também é possível ouvir ecos de bandas nacionais da No Wave brazuca dos anos 80 (Maria Angélica Não Mora Mais Aqui, Volutários da Pátria e Akira S. & as Garotas que Erraram) na música feita por Alessandra Lehmen (vocal), Cassio "JD" Forti (guitarra), Murilo Biff (guitarra), Guilherme Nunes (baixo) e Rodrigo Prati (bateria).
Rock da melhor qualidade, com guitarras embriagadas dos mais interessantes efeitos; uma base dançante e gostosa, e uma vocalista segura e carismática.
Procure adquirir Lost in the Tropics e se delicie com o refrescante revival oitentista de "White Cliffs of Dover" e a potência guitarrística de faixas como "Merge" e "Afraid to Fly" (essa puro Siouxsie).
Como bem disse Carlos Guimarães (Programa SubPop na Rádio Ipanema FM, e revista Noize): "Numa época em que astro de seriado pré-adolescente é chamado de 'indie', é sempre bom quando alguma banda vai à origem da coisa". Bingo.

Confira os gaúchos da Lautmusik na exuberante "Mai", cantada por Alessandra em alemão perfeito.



Lautmusik é para quem gosta de: Siouxsie and The Banshees, Sonic Youth, Joy Division, Black Rebel Motorcycle Club, The Chameleons UK e Maria Angélica Não Mora Mais Aqui.

A discografia da banda está disponível para download no TramaVirtual (clique aqui para ser redirecionado ao site)

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Banda da Semana: Maribel (Noruega)

Quando se pensa na música vinda da Noruega, a primeira coisa que nos vem à cabeça é o nome da banda de synthpop oitentista A-Ha. Agora é a vez da Maribel tentar mudar essa história.
Com sonoridade bem diferente da primeira, a banda formada por Pal Espen Kapelrud (vocais e guitarra), Lewi Bekkesletten (guitarra), Liv Inger Engevik (baixo e vocais) e Kjetil Tangen (bateria) desenvolve em suas canções uma sonoridade um tanto quanto peculiar, que tenta juntar numa mesma hermética caixa as guitarras ruidosas da The Raveonettes, o vocal etéreo dos Cocteau Twins e Slowdive, e a atitude desesperançosa e soturna da Depeche Mode. Por vezes, certos climas nos fazem lembrar da americana Morphine.
O resultado disso é uma estética musical que finca raízes no solo pantanoso entre o shoegazing e o rock de nuances psicodélicas.
Corra atrás dos dois álbuns dessa interessante banda - Aesthetics (2009) e Reveries (2012) - e ouça com atenção o que a cena norueguesa "pós-A-Ha" tem a nos oferecer.

Deixo vocês com "Jezebel Jive", faixa que faz parte do recém-lançado Reveries. Bom entretenimento a todos.



Maribel é para quem gosta de: My Bloody Valentine, Spacemen 3, Slowdive, Depeche Mode e Morphine.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Made In USA: Tamaryn (San Francisco)

Tamaryn é o nome de um duo formado pela cantora neozelandesa Tamaryn e pelo produtor e multi-instrumentista Rex Shelverton.
Depois de um EP e três singles, lançaram em 2010 o álbum The Waves onde deixaram clara sua reverência a nomes dos gêneros indie e shoegazing inglês dos anos oitenta e noventa como Cocteau Twins, My Bloody Valentine, Ride e Slowdive. Também é possível se encontrar em sua música ecos de sons mais recentes como Dum Dum Girls e Warpaint.



Tamaryn é para quem gosta de: Slowdive, My Bloody Valentine, Ride, Slowdive, Dum Dum Girls e Warpaint.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Keith Moon nos Jogos Olímpicos de Londres

Veja o leitor a que ponto chega a desinformação de certas pessoas: segundo o jornal britânico Sunday Times, o comitê organizador dos jogos olímpicos de Londres contactou o empresário da banda mod inglesa The Who, Bill Curbishley, para que este intermediasse a participação do baterista Keith Moon na cerimônia de encerramento do evento.
Acontece que Moon faleceu em 1978, aos 32 anos, vítima de uma overdose acidental com os medicamentos que usava para combater o alcoolismo.
"Mandei um e-mail de volta dizendo que Keith agora reside no Crematório Golders Green, vivenciando a frase do hino 'Eu espero morrer antes de ficar velho'." - disse Curbishley ao Sunday Times.
A intenção da organização dos jogos era de que Moon participasse do Symphony of Rock, uma celebração da cultura pop britânica que fará parte da cerimônia de despedida das Olimpíadas de Londres, em 12 de agosto.
A situação inusitada rendeu ainda uma provocativa declaração da parte do empresário Bill Curbishley: "Se eles têm uma mesa redonda, alguns copos e velas, podemos contactá-lo". Touché! (Fonte: Rolling Stone)

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Banda da Semana: Young the Giant (EUA)

A Young the Giant foi formada em Irvine, no estado da Califórnia, no ano de 2004. Em seus primeiros anos a banda se chamava The Jakes e sofreu com algumas entradas e saídas de integrantes até que, em 2008 conseguiu estabilizar seu lineup atual, que conta com Sameer Gadhia (vocais), Jacob Tilley (guitarra), Eric Cannata (guitarra e vocais), Payam Doostzadeh (baixo) e François Comtois (bateria e vocais).
Em 2009, ainda como The Jakes, a banda ganhou destaque ao fazer quatro apresentações no celebrado festival indie South by Southwest, em Austin, Texas. Depois disso assumiram a formação atual e passaram a se chamar Young the Giant, definitivamente.
O disco Young the Giant foi lançado em outubro de 2010 e é seu primeiro e único álbum até agora. De lá para cá a banda tem excursionado para promover esse trabalho.
Musicalmente falando a Young the Giant mostra-se similar a bandas como Travis, Coldplay, Snow Patrol e Guillemots.
Confira a performance apaixonada do vocalista de origem indiana Sameer Gadhia, à frente da Young the Giant nas músicas "My Body" e "Cough Syrup" (esta num belíssimo clipe). Falando em Sameer Gadhia, o cantor arrancou elogios do ícone inglês Morrissey (veja clicando no link) que disse que sua voz era "inquebrável", e ainda rasgou uma seda pra banda dizendo que a Young the Giant possui "o tom perfeito". E aí, acharam pouco?





Young the Giant é para quem gosta de: Coldplay, Athlete, Travis, Snow Patrol e Guillemots

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Lançamento: Spooky Action at a Distance (Lotus Plaza)

Certos compositores - e esses são a maioria - se preocupam basicamente em fazer música comercial. Em quantidade bastante menor que estes, existem aqueles que escrevem canções com teor artístico ou intelectualizado. Numa quantidade bem menor ainda estão os que se dignam a compor temas com conceito e textura. Esses são verdadeiros artesãos da música.
É na categoria de artesão musical que pode ser colocado o nome do americano Lockett Pundt. Vocalista/guitarrista e compositor de mão cheia, Pundt faz parte da formação conhecida como Deerhunter, e é a persona única por trás do projeto Lotus Plaza.
Em Spooky Action at a Distance, seu mais recente trabalho, o músico investe numa música dinâmica e, ao mesmo tempo climática e extremamente melódica. Basta uma audição em "Strangers" para que o ouvinte mergulhe numa viagem, nem tanto cinematográfica, mas absurdamente cinemática.

A peça seguinte é "Out of Touch", uma canção construída sobre guitarras processadas com camadas e mais camadas de efeitos, e baixo retorcido num fuzz eletrônico e nervoso. A parte final desta canção é puro space rock.
Os violões de "Dusty Rhodes" conduzem fácil o ouvinte a uma paisagem paradisíaca qualquer; ao passo que "White Galactic One" é uma variação esquizofrênica do tema anterior. "Monoliths" mostra como o Coldplay seria se, ao invés de ter sofrido influência do U2 e do A-Ha tivesse bebido da fonte de Galaxie 500 e Guided By Voices.
"Um passeio pelo subconsciente humano!" É exatamente o que pode ser dito de "Jet Out of the Tundra".
Finalizamos o álbum com "Remember Our Days" e "Black Buzz", porém, não sem que antes passemos pelo seu momento mais sublime: "Eveningness".
A faixa (cuja tradução do título significa "Verspertina") é a trilha ideal para um mergulho no lado onírico que existe em todo ser humano que goze da perfeição de suas faculdades mentais. Difícil não escutá-la e pensar na Terra do Nunca, em Oz, no País das Maravilhas, em Papai Noel ou nos contos de fadas.
Ao fim de Spooky Action at a Distance, a pergunta que fica é: será Lockett Pundt um viajandão sonhador e piegas? A resposta quase que instantânea, ao menos no meu caso, é: de modo algum! Trata-se de alguém que deixou de lado a convenção padrão que germina entre os compositores dos tempos atuais, que reza que a música tem que ser moderna, crua, fria e antenada com a carne e a dor superficial. Por detrás de uma obra que em muito lembra o último álbum da Deerhunter, Halcyon Digest (2010), Pundt versa (inconscientemente ou não) que urge sonharmos. E sonharmos cada vez mais.
É em Spooky Action at a Distance que o rock encontra Jung, Dali, Lewis Carroll. Quem disse que o sonho acabou?

terça-feira, 10 de abril de 2012

Lançamento: A+E (Graham Coxon)

Considerado um dos melhores guitarristas britânicos de sua geração, Graham Coxon chega ao oitavo disco de sua carreira-solo numa forma exuberante.
Parte disso talvez se deva ao estilo que o próprio Graham desenvolveu em sua banda de origem (Blur), no qual encarna o guitar-hero multifacetado, ligado tanto ao cool style sessentista, quanto ao modernismo autofágico e voraz dos indies.
"Advice", faixa que abre A+E, é uma amostra do que aconteceria se o Kinks de "You Really Got Me" se encontrasse com o Blur de "Song 2". Pode se dizer que "City Hall" é um experimento muito bem sucedido, enquanto que em "What'll It Take" (o primeiro single extraído do álbum), Coxon supera boa parte do material do Gorillaz, projeto paralelo de seu companheiro de Blur, Damon Albarn.
O que era colorido em "What'll It Take" ganha feições de zumbi, monocromáticas, decompostas e lentas, em "Meet + Drink + Pollinate". A faixa é puro Joy Division reciclado para as pistas de dança dos dias de hoje. No final da música, os zumbis invadem a Swinging London dirigindo um Mini Cooper pintado em cores psicodélicas.


Na sequência temos "The Truth" e "Seven Naked Valleys". A primeira é sombria e pesada. Soa pessimista. Já na segunda, o músico acerta em cheio com a fórmula de unir referenciais old school, mais britpop e stoner rock. Realizou em pouco mais de cinco minutos e meio o que Alex Turner e seus Arctic Monkeys não conseguiram em todo o Humbug.
O climão de trilha sonora do Tarantino dá a tônica do grudento refrão de "Running for Your Life". "Bah Singer" é rock 'n' roll movido a guitarras potentes, com tentáculos presos em Jimi Hendrix e Pink Floyd fase-Syd Barrett.
Nos aproximamos do fim com a experimental "Knife in the Cast", que lembra o desespero em queda livre do Nirvana. A última, "Ohh, Yeh, Yeh" tem aquele apelo esquisitão que Beck usava para atrair as mocinhas e deixar os marmanjos de queixo caído em seus primeiros anos.
Em resumo: A+E é um álbum elétrico na acepção mais precisa do termo. Sua música puxa consigo uma iconografia que aborda The Jam, bailes das décadas de 50 e 60, Joy Division, anfetaminas, propaganda, novas mídias, Isaac Asimov, guitarras e um pouco de Blur aqui e acolá.
Um álbum para se ouvir no quarto, bem alto, com os móveis afastados para os cantos, e o espaço do meio, livre, para ser usado como pista de dança.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Ex-Hole lança livro em que fala de drogas, Courtney Love e Kurt Cobain

Entre os anos de 1989 e 2002, Eric Erlandson foi guitarrista da banda americana Hole. Atualmente, o músico que está em turnê pelos EUA, tem falado sobre o lançamento de seu livro de prosa e poesia, Letters to Kurt (Cartas Para Kurt), que lida - entre outras coisas - com a sua história no mundo musical, abuso de drogas e a morte do vocalista do Nirvana, Kurt Cobain.
No livro, Erlandson também abre o jogo sobre a morte de sua ex-namorada, a baixista Kristen Pfaff, que morreu vítima das drogas em 1994. Ele comentou: "Eu admito: eu cometi alguns erros estúpidos com algumas pessoas; e as pessoas estão mortas por causa dos meus erros estúpidos. Isso é o que eu quero dizer. E eu quero usar isso para que outras pessoas não cometam os mesmos erros que cometi, e outras pessoas comecem a compreender. Eu me emociono com isso. Nós todos perdemos pessoas."
O músico foi a última pessoa a ver Pfaff viva antes que ela morresse por conta de uma overdose de heroína, dois meses após o suicídio de Kurt Cobain. Em declarações à Rolling Stone, ele acrescentou: "Quando você está brincando com drogas, existe um desejo de morte bem claro: o suicídio."
O livro também fala de seu relacionamento com a líder do Hole e viúva de Cobain, Courtney Love. A problemática cantora autorizou o ex-parceiro de banda a confirmar o envolvimento amoroso que teria havido entre os dois, mas pediu para que os detalhes mais íntimos e picantes não fossem revelados. No final, Courtney Love ainda elogiou Eric Erlandson: "Desejo-lhe bem. Ainda mais do que Dave [Grohl] e [Krist] Novoselic (os ex-baterista e ex-baixista do Nirvana, respectivamente). Eric era da família. Só espero que ele não tenha escrito que nós namoramos. Nós tivemos o sexo, sim, mas não agora."
Eric Erlandson fez parte de várias encarnações do Hole, inclusive da "clássica" formação "junkie" que gravou Live Through This, em 1994. Além dele e de Courtney Love, integravam o grupo nessa época a já citada baixista Kristen Pfaff e a baterista Patty Schemel.
Sobre Kurt Cobain, cujo suicídio completou dezoito anos no último dia cinco, Erlandson disse: "Eu acho que ele [Kurt] gostaria realmente deste livro Ele tinha muito senso de humor negro e ele amava jogos de palavras.".

Blur: o fim está próximo

Damon Albarn, em entrevista ao jornal inglês The Guardian, disse que o show que o Blur fará no Hyde Park, por ocasião da cerimônia de encerramento dos jogos olímpicos de Londres, será - provavelmente - o último da banda.
Quando perguntado sobre a possibilidade de haverem outras apresentações do grupo, Damon foi enfático: "Não! Não realmente." - e, a respeito de "Under the Westway", single que a banda teria gravado num único take, o vocalista declarou que: "Eu realmente não vejo quaisquer gravações mais depois dessa.".
Albarn também lançou algumas dúvidas sobre o futuro da Gorillaz, classificando o desenrolar da atividades no grupo como "improvável".
A razão seria um desentendimento ocorrido entre o vocalista e seu colaborador no projeto que une animação e música, Jamie Hewlett. Albarn acusa Hewlett de não ter contribuído para o grupo, com arte em qualidade e quantidade suficientes na turnê de Plastic Beach, álbum de 2009. "A música e os vídeos não estavam funcionando bem juntos; mas senti que eu tinha feito um álbum muito bom, e eu estava nele. Então fomos e tocamos." - disse. (Fonte: Rolling Stone)

domingo, 8 de abril de 2012

God Save Bretanha: Good Shoes (Inglaterra)

A Good Shoes nasceu em Londres, em meados de 2004. Logo de cara despontaram na cena indie onde também se destacaram nomes como Kaiser Chiefs, The Cribs e The Rakes. Mesma cena que teve como ponta de lança a Arctic Monkeys.
Apesar das origens britânicas, o som feito por Rhys Jones (vocais e guitarra), Steve Leach (guitarra), Will Church (baixo) e Tom Jones (bateria) se aproxima um pouco também da esquizofrenia contorcionista e dançante de nomes da cena punk americana dos anos setenta, como Talking Heads.
Sua discografia se resume aos bons We Are Not the Same (EP, 2006) e Think Before You Speak (2007); e ao ótimo No Hope, No Future (2010). E é justamente de No Hope, No Future que o Aeropsicodélico destaca "Under Control".



Good Shoes é para quem gosta de: The Cribs, The Rakes, Franz Ferdinand e Talking Heads

MBV pode reaparecer em breve com álbum novo

Depois do retorno dos mancunianos da Stone Roses, parece que um outro ícone dos anos 90 está planejando sua volta aos palcos e paradas.
Ao que tudo indica, um novo álbum da My Bloody Valentine está a caminho. Foi o que o vocalista e guitarrista Kevin Shields andou dizendo ao site Pitchfork.
Uma reedição de parte do catálogo da banda irlandesa estará disponível no dia 07 de maio. O álbum de que Shields fala seria o primeiro LP novo da banda em 21 anos. O último foi Loveless, de 1991.
"Eu estou terminando um disco que eu tinha começado na década de 90", disse Shields, que ainda confirmou que toda a banda está junta, trabalhando no novo álbum.
A My Bloody Valentine foi formada em meados dos anos oitenta, e gravou vários EP's e mini-álbuns até chegar aos seus dois discos definitivos: Isn't Anything (1988) e Loveless (1991).
Loveless é apontado como um dos álbuns da década de noventa. Pedra fundamental do movimento shoegazing, está ao lado de outros importantes tratados do período como Souvlaki (Slowdive) e Nowhere (Ride). Integram a MBV - além de Kevin Shields - a vocalista/guitarrista Bilinda Butcher, a baixista Debbie Googe e o baterista Colm Ó Cíosóig.
Shields ainda fez comentários sobre o longo hiato de sua banda: "Eu sempre disse iríamos gravar um disco novamente." - e, novamente falando a respeito do álbum inédito, continuou - "Você nunca sabe, podemos terminá-lo muito rapidamente, e pode ser em alguns meses! Eu tenho tendência a trabalhar muito rapidamente, de repente; e eu poderia estar disposto a fazer isso agora. Vamos ver!". (Fonte: NME)

Para matar um pouco das saudades dos que conheceram, e apresentar a My Bloody Valentine aos recém-chegados, que tal curtirmos juntos o single "Soon", extraído de Loveless?

sábado, 7 de abril de 2012

Rock Latino: Shelly Johnson Broke My Heart (Itália)

Assim como os portugueses da Uni_Form, e suas compatriotas da Be Forest, a banda italiana Shelly Johnson Broke My Heart é outra formação musical que abre mão da língua nativa para apresentar seu trabalho, preferindo usar o inglês como forma de expressar sua arte.
A SJBMH é um trio oriundo de uma cidade de 136 mil habitantes chamada Rimini. Fazem parte do grupo o vocalista/guitarrista Ivan, o baixista/vocalista Davide e o baterista/vocalista Andrea. O nome da banda vem de uma personagem da mítica série de televisão Twin Peaks.
A sonoridade com guitarras melódicas e pegada forte, porém, com backings e estilística que expressam bastante sensibilidade, lembra em muito as bandas da safra inglesa shoegazing do início da década de 90, como Revolver e Lush.
Destacam-se dois EP's em sua discografia: Brighter (2009) e We Own the Afternoon (2012); deste extraímos "The Boy and the Pokey Town", faixa que você confere aqui no Aeropsicodélico.



Shelly Johnson Broke My Heart é para quem gosta de: Ride, Revolver e Lush.

domingo, 25 de março de 2012

God Save Bretanha: Viva Brother (Inglaterra)

Slough é uma cidadezinha de cerca de cento e trinta mil habitantes, localizada a trinta e cinco quilômetros a Oeste de Londres, e que até pouco tempo atrás era conhecida somente por uma pequena citação no clássico de Aldous Huxley, Admirável Mundo Novo. Porém, por causa do pessoal da Viva Brother, a cidade já entrou no mapa do rock inglês.
Fazem parte da banda os músicos Leonard "Lee" Newell (vocais e guitarra), Sam Jackson (guitarra), Josh Ward (baixo) e Frank Colucci (bateria).
Estrearam em disco em agosto de 2011, pela Geffen Records, com Famous First Words. O produtor da bolacha foi ninguém menos que Stephen Street, que trabalhou com gente do calibre de Kaiser Chiefs, Babyshambles e Pete Doherty, Blur e Graham Coxon, The Smiths e Morrissey.
Apesar de bastante jovens, os integrantes da Viva Brother costumam citar Blur, Stone Roses e The Smiths como suas principais influências, ou seja, só figurinhas carimbadas do rock inglês.
Famous First Words conseguiu uma ótima repercussão de público e crítica, chegando a figurar na trigésima quarta posição da parada britânica de álbuns. Planejam para 2012 o lançamento de seu segundo álbum.

Curta o som da Viva Brother em "Darling Buds of May"; faixa que faz parte de Famous First Words (2011)



Viva Brother é para quem gosta de: Blur, Stereophonics, Doves, britpop

sábado, 24 de março de 2012

Histórias do Rock: Os melhores imitadores dos Beatles

A banda americana The Knickerbockers já me ajudou a fazer pegadinhas com muita gente. Inclusive vários fãs experimentados de rock. Muito provavelmente, você é mais uma das pessoas que nunca tinha ouvido falar deles antes. Acontece que esses caras foram os melhores imitadores dos Beatles da fase "Iê-Iê-Iê" que o mundo já conheceu.
Tudo começou em 1964, ano da invasão britânica nos EUA. Invasão essa capitaneada pelo já citado quarteto de Liverpool. O sucesso dos ingleses no país do Tio Sam foi tão grande que, do dia pra noite, alguns milhões de jovens americanos resolveram montar suas próprias bandas de rock.
Na falta de lugar para ensaiar, essa geração de músicos resolveu se apossar de um espaço que quase todos tinham fácil: a garagem dos pais. Naquele cenário de prosperidade econômica viabilizada pelo pós-2ª guerra mundial, a população americana ostentava seu status com veículos enormes cujos destaques eram os famosos carros "rabos de peixe". Com garagens grandes, é possível imaginar então como havia espaço suficiente para que uma banda conseguisse colocar seus instrumentos e equipamentos ali, e ensaiasse nesses locais. Surgia a partir daquele momento um fenômeno particularmente yankee: o rock de garagem.
Dentro dessa leva de bandas se destacaram nomes como The Seeds, The Sonics, 13th Floor Elevators, The Amboy Dukes (de onde viria a sair Ted Nugent) e The Knickerbockers.
Surgida em Bergenfield, no estado de New Jersey, a The Knickerbockers era formada em 1964 pelos músicos Buddy Randell (vocais, saxofone e bateria) e Jimmy Walker (bateria e vocais), mais os irmãos Beau Charles (guitarra e vocais) e John Charles (baixo e vocais). O nome da banda fazia alusão à Knickerbocker Road, uma estrada que cortava Bergenfield.
Beau e John já faziam, desde 1962, parte de uma pré-encarnação da The Knickerbockers, juntamente com o tecladista Ned Brown e o baterista Skip Cherubino; mas foi somente a partir de 1964 que as coisas começaram mesmo a andar.
Com o esmagador sucesso dos Beatles nos EUA, a The Knickerbockers começou a ganhar destaque dentro da cena do rock de garagem. Muito desse sucesso se deveu a enorme semelhança entre as vozes de Buddy Randell e John Lennon.
Em 1965 foi lançado o compacto "Lies"/"The Coming Generation". "Lies" teve um êxito esmagador, chegando ao vigésimo posto da concorridíssima parada americana de singles. No ano seguinte a banda lançou outra faixa de sucesso: "One Track Mind".
Para azar da The Knickerbockers, a Challenge Records (que era a gravadora que detinha o catálogo da banda) fazia uma distribuição deficiente de seus singles e álbuns, e "One Track Mind" ficou apenas na quadragésima sexta posição da parada.
Quando o ano de 1967 chegou, com os Beatles e Beach Boys produzindo elaboradas composições, as bandas de garagem começaram a sair de moda. Os tempos eram outros. Ainda nesse mesmo ano a The Knickerbockers se rachou em três partes, com os irmãos Charles indo para um lado, Randell indo para o outro, e Walker se juntando aos The Righteous Brothers (o grupo que gravou "Unchained Melody", a música do filme Ghost).
Aos trancos e barrancos a banda se manteve ativa até 1972, com Beau e John Charles gravando e se apresentando com o nome The Knickerbockers.
Um breve retorno aconteceu em 1990, quando sua formação clássica esteve reunida mais uma vez. Tarde demais, infelizmente, para recuperar o brilho de uma banda que foi considerada "a mais preciosa imitação dos Beatles em sua fase inicial".

Fiquem com os dois maiores sucessos dos Knickerbockers: "Lies" (1965) e "One Track Mind" (1966).



sábado, 10 de março de 2012

Morrissey - Fundição Progresso (Rio de Janeiro-RJ) - 09/03/2012

The Queen in Rio

Ontem a realeza britânica esteve presente na cidade maravilhosa. E olha que eu não estou falando da visita do Príncipe Harry ao Rio, mas sim do cantor Steven Patrick Morrissey.
Mais conhecido pelos amantes da música simplesmente como Morrissey, e chamado carinhosamente de "Moz" por uma legião de fanáticos, o artista é, desde os anos oitenta quando liderou o legendário combo indie The Smiths, sinônimo de poesia e integridade dentro do multifacetado rock inglês.
A abertura do espetáculo foi feita pela fraquíssima cantora americana Kristeen Young. Em pouco mais de trinta minutos, Young tentou mostrar diante de uma platéia perplexa o pequeno circo de interpretações toscas de suas músicas. Tendo se revezado entre marteladas sem sentido no teclado e passinhos de dança que a fizeram se assemelhar a uma marionete controlada por um doido varrido, a cantora chegou a causar incômodo nos ouvidos de muita gente com seus gritos esganiçados. Ganhou aplausos acalorados de um punhado de iniciados. Uma gente que se deslumbra com qualquer coisa que traga consigo o rótulo de "alternativa". O resto do público bateu palmas muito mais em consideração a Morrissey, do que pelo talento da mesma. Há poucos metros de onde eu estava, um rapaz resumiu o que se passava pela cabeça da maioria das pessoas ali com um simples grito: "Get Out!"
Passado o sufoco Kristeen Young, foram exibidos alguns vídeos dos artistas de cabeceira de Moz. Nomes como Brigitte Bardot, New York Dolls e o obscuro grupo Sparks foram mergulhando os presentes no clima de nostalgia ao qual todos, decididamente, se propunham entrar.
Quando a cortina caiu e Morrissey entrou no palco, o público foi tomado por uma histeria característica dos seguidores das seitas religiosas. Nem mesmo o impacto inicial causado pela indumentária pouco comum do pessoal de sua banda de apoio conseguiu aplacar o entusiasmo da galera. Para se ter uma ideia, o guitarrista Boz Boorer estava travestido de mulher, com peruca e sapatos de salto, enquanto que os demais músicos usavam como única peça de roupa uma sunga amarela. Culpa em parte do calor, e em parte das já célebres referências homoeróticas com que o cantor está habituado a brincar.
"First Of The Gang To Die" fez a Fundição Progresso pular e cantar a plenos pulmões pela primeira vez na noite. Todas as músicas foram acompanhadas pela audiência com devoção, como se um culto estivesse sendo realizado ali. Devoção essa que se mostrava mais forte durante a execução de peças de ouro da carreira solo de Morrissey, como em "Alma Matters", "Everyday Is Like Sunday", "You're The One For Me, Fatty" e "Ouija Board, Ouija Board".
Mas o ápice da morrisseymania ficou reservado aos momentos em que o cantor relembrou seus sucessos dos tempos de The Smiths. A potente "Still Ill" foi a primeira música da parceria Morrissey & Marr a ser executada na noite, e foi interpretada com a fúria característica de sua versão original. Aliás, o cantor, do alto de seus 52 anos, parecia bastante empolgado e esbanjando uma energia que há um bom tempo não se via. Conversou várias vezes com a platéia, inclusive agradecendo em alguns momentos com um tímido "obrigado".
Antes de "Meat Is Murder", seu característico protesto vegetariano, Morrissey comentou com sua peculiar acidez a presença do filho da Princesa Diana no Rio, naquele mesmo dia. "Ele (Harry) está vindo aqui tomar o dinheiro de vocês. Por favor, não o entreguem a ele." - Disse, fazendo com que o público vaiasse o herdeiro do trono britânico.
"There Is A Light That Never Goes Out" e ""Please, Please, Please Let Me Get What I Want" foram cantadas em uníssono por uma plateia visivelmente emocionada. Já ""How Soon is Now" - penúltima música da noite - foi vociferada com revolta e reverência.
Depois de uma rápida pausa, Morrissey e os músicos voltaram ao palco para a execução de mais uma canção: "One Day Goodbye Will Be Farewell", que faz parte de seu último disco Years of Refusal, lançado há três anos.
Terminado o show, a impressão que ficou foi a de que Moz continua o mesmo. Ao que tudo indica, a apatia que causou estranheza no Glastonbury 2011 e que parece ter se repetido nos shows da Argentina, ficou no passado. A voz; os trejeitos afetados que lhe conferem um charme bastante pessoal; o cabo do microfone chicoteando furiosamente o ar, para lá e para cá. Todos esses ingredientes continuam lá, ou voltaram com força total no show do Rio.
Morrissey se dá ao direito de exercitar sua irônica e ensaiada indiferença diante da adoração de seu público. Em dado momento, o cantor ofereceu o microfone a um fã para que este falasse o que sentia. O fã aos berros disse amá-lo; ao que foi retribuído com uma desdenhosa risada. Em outro instante, jogou de volta uma camisa atirada por outro admirador.
De qualquer modo, isso apenas parece alimentar a catarse que o cantor exerce sobre seu público. Algo que vem desde seus áureos tempos nos Smiths. Isso se mostrou claramente nos momentos em que Morrissey estendia a mão em direção à platéia que se espremia na frente do palco, fazendo com que uma onda de fanáticos se movesse, de mãos erguidas, na intenção de tocar o ídolo, ainda que por um breve instante.
Outra prova de adoração se deu quando Moz jogou sua camisa para os fãs, que a despedaçaram numa fração de segundos. Quem conseguiu ficar com algum fragmento da peça de roupa do cantor, mostrava aquilo aos demais como se aquele pedaço de pano rasgado fosse um troféu de valor inestimável. A set list, entregue a um casal por um membro da equipe técnica logo após o show, era fotografada e tocada por outros fãs como uma verdadeira relíquia religiosa.
Besteira? Idiotice? Idolatria demasiada por um sujeito que liderou uma banda que lançou apenas quatro álbuns em meros cinco anos de atividade? Em se tratando de Morrissey, nunca saberemos explicar. Talvez porque tudo que envolva o seu nome, acabe se equilibrando numa corda bamba distendida entre a delicadeza e a força; entre o sangue humano e o espectro sublime; entre Manchester e o Paraíso (ou o Inferno).
O cantor, quer você goste ou não, está no mesmo panteão sagrado onde repousam poetas como Jim Morrison e Nick Drake, com o diferencial ainda estar vivo, entre nous.
Vivo, dândi como seu ídolo Oscar Wilde, e contumaz opositor da mediocridade humana. Bom saber que o Bigmouth voltou a atacar.